Usuario :
Clave : 
 
 administrador
Manual del administrador


 Secciones
Ediciones anteriores
Premios- Distinciones
Muestras/Arte
Entrevistas- noticias culturales-histórico
Lecturas
Ensayos - Crónicas
Educación/Universidad
Sociedad
Diseño/Moda/Tendencias
Fotografía
La editora
Medios
Sitios y publicaciones web
Narrativa policial: cuentos, ensayos, reseñas
Sumario
Música
Teatro/Danza
cartas
Cine/Video/Televisión
Entrevistas- Diálogos
Servicios
Noticias culturales- archivo
Espacio de autor
Prensa
Artista invitado
Entrevistas
Fichas
Algo de Historia
Blogs de la Revista Archivos del Sur
Cuentos, poemas, relatos

ARCHIVOS DEL SUR

 Inicio | Foros | Participa
Buscar :
Estás aquí:  Inicio >>  Cuentos, poemas, relatos >>   Falência Existencial- Alan Miranda
 
Falência Existencial- Alan Miranda
 

Desde Brasil

Falência Existencial

Neste São João passado,
como eu estava só,
com amada longe,
amigos longe,
Cachorros e gatos em outras paragens.
Resolvi dar uma de povo.
De gente comum, como se eu não o fosse.

Sou daqueles egocêntricos que se sentem
eternamente diferentes.
E por mais que não seja,

sempre me acho diferente.
Resta saber se sou mesmo.
Diferente.
Às vezes acredito que sim.
Mas quando lembro que todo ser humano que conheço
pensa o mesmo,
que também se acha único e diferente
e jamais massa ou gado,
fico meio perdido nessa filosofia.

Mas o fato foi que eu resolvi ir a um forró.
Coisa que não vou há anos.

E lá estava eu, pedindo licença à multidão,
vendo luzes,
cheiro de conhaque,
mulheres bonitas e vazias,
homens bonitos e vazios,
mas todos com uma grande tendência à embriaguês
e a roupas quadriculadas.

Parei no meio daquela gente aparentemente feliz.
E fiz pose.
Fiquei lá,
parado,
esperando sei lá que porra
e olhando as pessoas.

Me senti velho.
Com meus 27 anos.
E de novo diferente.

É chato ser gênio e mal amado,
que com certeza é o meu caso.
Só me sentiria bem
se toda aquela multidão me conhecesse.
Comecei a pensar essas bobeiras
e quando já estava sendo carregado pela multidão,
um grande amigo meu me bate no ombro.
Tive que deixar minha fantasia egocêntrica de lado e
abraçá-lo de alegria.

Que bom!

Alguém que me conhece!
E de verdade!
Eu poderia mandá-lo à merda
e ele ainda me amaria,
ou talvez chorasse
se eu morresse.

Conversamos empolgados durante uns três minutos.
E depois,
coisa horrível,
apoderou-se de nós algo que,
para mim,
sempre ocorreu,
mas só agora eu tive consciência...
nos dois éramos amigos de infância,
mas não tínhamos mais nada o que falar um do outro.
Ou para o outro.
Paramos de falar naturalmente e,
aos poucos,
lado a lado,
fomos fazendo pose
e ficando calados
vendo aquela multidão pretensamente feliz
que nos incomodava.

Voltei para as minhas fantasias egocêntricas
e ele, provavelmente,
para algo similar.

Conclusão:
Se quem eu amava (meu amigo) não me completava,
imagine aquelas pessoas coloridamente alegres,
de quem eu tinha desprezo e inveja?

Somando a minha chegada,
as minha elaborações mentais,
e o encontro com meu amigo,
não durei 15 minutos naquele forró.


Fui para casa,
e às vinte e uma horas e trinta minutos
do dia 24 de junho
estava dormindo.
E o São João de vocês?

(c) Alan Miranda

 
 
Diseño y desarrollo por: SPL Sistemas de Información
  Copyright 2003 Quaderns Digitals Todos los derechos reservados ISSN 1575-9393
  INHASOFT Sistemas Informáticos S.L. Joaquin Rodrigo 3 FAURA VALENCIA tel 962601337