Sociedade da Informação

 

Setor Produtivo e Desenvolvimento Regional

 

Abraham B. Sicsú (FUNDAJ)

César R. S. Bolaño (UFS)

 

1.     Introdução

 

Muito se tem debatido sobre as mudanças que a Sociedade da Informação(SI) pode trazer para regiões periféricas deprimidas economicamente. As posições vão desde visões catastrofistas que vêm nessa mudança de paradigma a definitiva exclusão dessas regiões, até posturas extremamente otimistas que consideram este momento a oportunidade de maior inserção num mundo em transformação. Não é objetivo deste texto tomar partido nesse debate, mas sim, explicitar conceitos que vêm norteando o novo padrão de desenvolvimento e alertar para mudanças que vêm ocorrendo na organização da produção, fundamentais para balizar o debate. Nesse sentido, na seção 2, a partir de conceitos básicos, procura-se aprofundar possíveis impactos que a Sociedade da Informação traz para o desenvolvimento de regiões periféricas. Na seção 3 são detalhadas as novas formas em que a produção tem sido organizada e como elas podem vir a alavancar o desenvolvimento regional. Por fim, tentando fazer uma conexão entre as duas seções anteriores, procura-se alertar para o fato de que os caminhos que as economias periféricas seguirão não são facilmente predizíveis e que as novas formas de estruturação da produção podem vir a ser fator facilitador de inserção das regiões menos desenvolvidas.

 

2. Sociedade da Informação e Desenvolvimento Regional

 

A discussão sobre a questão regional no interior de um programa de Sociedade da Informação exige uma prévia - ainda que breve - consideração sobre os dois conceitos sugeridos: o de SI e o de região.

O primeiro faz parte do amplo movimento de reestruturação iniciado com a crise do padrão de desenvolvimento que presidiu o longo período de expansão do pós-guerra. A passagem para um novo está sendo realizada de tal modo que as tecnologias da informação e da comunicação e a expansão das redes telemáticas adquirem uma especial relevância na estrutura mais íntima do sistema, levantando questões teóricas extremamente interessantes, mas que não precisam ser tratadas nos limites deste artigo (vide Bolaño 1997, 1999).  O importante a frisar é que, nessas condições históricas, surge a Sociedade da Informação enquanto projeto político de respaldo à constituição de uma determinada infra-estrutura comunicacional, no sentido mais amplo, a serviço da reestruturação capitalista e da constituição das bases para o novo padrão de desenvolvimento. Assim como os Estados Unidos e a União Européia têm seus programas de SI, adequados de formas distintas ao projeto global de SI, o Brasil também está construindo o seu.

Mas o termo região também merece comentários. Na verdade, deveríamos falar em espacialidade - ou territorialidade - posto que as transformações do sistema, especialmente aquelas decorrentes da expansão das tecnologias informacionais e comunicacionais e dos programas nacionais e multinacionais de Sociedade da Informação, têm impactos diferenciados sobre os diferentes espaços nacionais, regionais, locais etc., e é esse precisamente o nosso problema. Os textos produzidos pelo GT Integração e Regionalização do Programa Brasileiro de Sociedade da Informação (Melo e Sicsú, 2000; GT-Reg., 2000), insistem no caráter potencialmente excludente que essas transformações podem acarretar, tanto em nível espacial, quanto social, caso o processo seja deixado ao livre sabor das forças de mercado. Nesse sentido, defende-se o que deveria ser óbvio: a necessidade de uma ação forte e extensa do Estado para garantir que os eventuais impactos positivos das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC) e da SI redundem efetivamente em ganho de competitividade para o país, entendido como uma unidade contraditória de diferentes realidades regionais e locais.

Assim, reconhece-se a diversidade cultural como uma possível fonte de vantagens competitivas, num período em que a informação e o conhecimento representam elementos fundamentais para a produção de riqueza e bem estar social, e acrescenta-se que, para se extrair toda a potencialidade que a riqueza cultural do país oferece, é preciso pensar cada elemento do programa de Sociedade da Informação numa perspectiva regional e social, no sentido de se garantir a apropriabilidade do progresso técnico, a capacitação do conjunto dos diferentes agentes potencialmente envolvidos e aquilo que os franceses chamam de rattrappage (catching up). Isto significa utilizar uma estratégia de implantação baseada prioritariamente na incitação ao uso das TIC pelos diferentes agentes e num modelo de regulação flexível, que incorpore o conceito de serviço universal evolutivo, nos termos propostos no documento que o grupo produziu sobre o tema (GT-Reg, 2000), e de serviço público, no concernente à questão dos conteúdos, elemento central na atual etapa de expansão das redes telemáticas e da internet, mais especificamente, em que as estratégias do tipo technology push cedem espaço às do tipo demand pull.

Claro que se trata de duas trajetórias não excludentes. Enquanto não há infra-estrutura e tecnologia disponíveis em qualquer ponto do território, as estratégias de oferta são preponderantes. Mas, tendo em vista o seu caráter de condição básica não suficiente, à medida que o território vai sendo coberto, ganham maior relevo as estratégias de incitação da demanda.

A relação entre TIC e espaço tem sido tal que, como as redes de transporte, a infra-estrutura de telecomunicações e telemática é condição necessária, mas não suficiente, para que uma região participe da economia global de forma minimamente competitiva.  A não disponibilização dessas infra-estruturas em determinado ponto do território de um país significa a exclusão pura e simples desse ponto do sistema, o que obriga o Estado a garantir a universalização do serviço, visto tratar-se de uma condição sine qua non para o desenvolvimento.  E trata-se de uma tarefa típica do Estado, visto que os custos dos investimentos necessários à existência da infra-estrutura não são garantia da inserção e, muito menos, claro, de uma inserção bem sucedida, voire vitoriosa.

 Do ponto de vista da questão regional, não é admissível que partes do território tenham direito às várias possibilidades e outras a apenas parte delas.  E isto não depende pura e simplesmente da instalação de infra-estrutura.  Depende também da qualificação do trabalho e do fortalecimento da cultura e dos saberes locais.  E depende, evidentemente, da relação das diferentes culturas locais com a cultura nacional, no enfrentamento do problema da globalização.

O Brasil possui uma riqueza cultural, fonte de capacidade criativa, que o habilita, em tese, a participar do eventual processo de desenvolvimento capitalista do século XXI que se negocia e estrutura em nível global e do qual a implantação da chamada SI é peça chave.  Mas o aproveitamento desse potencial – que, como sabemos, não se restringe ao elemento cultural, mas existe também nos campos mais tradicionalmente abarcados pela economia – depende de que o seu povo – depositário dessa cultura – também se capacite tecnologicamente, acompanhando o desenvolvimento tecnológico global. 

O povo brasileiro espalha-se hoje por um território nacional imenso, que teve a capacidade de manter inteiro – por séculos e apesar de tudo – mantendo sempre, paralelamente, níveis de exclusão social e espacial importantes.  A primeira questão que se coloca, portanto, é a de saber se teremos hoje a capacidade de qualificar-nos para o possível próximo período de expansão do sistema, visando atingir avanços efetivos em termos de distribuição da riqueza e de bem estar geral.

Ao falar em Sociedade da Informação, não se pode perder de vista a dimensão mais ampla da reestruturação capitalista que é a base real sobre a qual os projetos desse tipo se articulam. Ainda que, do ponto de vista estritamente tecnológico, deva-se falar na revolução da micro-eletrônica como o elemento desencadeante do processo, não há dúvidas de que o elemento central da atual reestruturação reside no desenvolvimento das tecnologias da informação e da comunicação, pois são mais precisamente estas as responsáveis pelas transformações mais profundas no mundo do trabalho e no mundo da vida.

Não se trata simplesmente de um problema de aumento do desemprego devido ao fato de estarmos vivendo o momento crítico da reestruturação.  A questão é mais grave porque a estrutura ocupacional está se alterando profundamente, além do que, a reestruturação em curso não se limita à problemática econômica, envolvendo questões como a do marco legal e institucional em que as mudanças ocorrem, a dos impactos da reestruturação sobre o mundo da vida etc.

O debate atual é farto na discussão da importância do aprendizado, da questão da apropriabilidade das tecnologias, visando processos de catching up, entre outros temas, mas é pobre na articulação dessas questões com a problemática regional que, por seu turno, passa hoje por uma renovação importante, para a qual esta articulação é fundamental. Cada setor, área ou atividade, deve ser tomado de acordo com as suas especificidades, na definição de projetos de desenvolvimento local e regional.

É preciso, por outro lado, atentar para o caráter contraditório desse desenvolvimento que, ao mesmo tempo em que abre inegáveis possibilidades de ação no sentido da superação de problemas antigos, ao aumentar, pelo menos teoricamente, a produtividade do trabalho intelectual e afinar os instrumentos de gestão, tende a criar, por outro lado, novas clivagens, ou a ampliar as antigas. A tendência natural do processo em curso é a da ampliação das assimetrias atuais e da constituição de novos mecanismos de exclusão em que o domínio do conhecimento desempenha um papel preponderante, fruto, obviamente, da própria importância crucial do conhecimento como fator de riqueza (Bolaño e Lima, 1999).

Assim, por exemplo, as grandes empresas informatizadas têm equipamento, cultura empresarial e modos de funcionamento que lhes permite ampliar e intensificar o uso das TIC, em comparação com as PME ou as administrações públicas. As assimetrias são intrínsecas ao desenvolvimento das TIC, cuja oferta, no que se refere a seus efeitos espaciais, apresentaria, segundo Savy, um segundo paradoxo, além do conhecido paradoxo da produtividade:

 

“a homogeneização é apenas uma tendência, constantemente questionada pelas inovações (técnicas ou comerciais) que, ofertadas inicialmente nas zonas mais aptas a consumir-lhes os produtos, re-introduzem penúrias relativas, isto é, efeitos retardados de desenvolvimento territorial” (Savy, 1999, p. 23).

 

Assim, a questão da universalização (e do que deve ser universalizado) tem que ser constantemente reposta e, sendo a lógica econômica da empresa e a lógica política de igualdade de acesso às TIC contraditórias, deve-se tomar a equidade territorial como  uma componente essencial de um serviço universal evolutivo, o que coloca em primeiro plano os problemas técnicos e políticos da regulação e a complexidade das negociações que ela envolve, com o objetivo de se contrapor às tendências excludentes e de potencializar as eventuais possibilidades de deslocamentos positivos de implantações de atividades em zonas mal servidas.

Seria ingênuo pensar que as clivagens atuais poderiam ser resolvidas sem uma ação decidida que, desde o início, coloque a questão da espacialidade como elemento central do desenvolvimento nacional, o que envolve questões de toda ordem, desde a da disponibilização de infra-estruturas, da universalização do acesso, até o problema da produção dos conteúdos e da capacitação dos agentes locais – empresas, trabalhadores, sistemas de ensino, consumidores, populações excluídas – para o enfrentamento dos desafios que a atual situação coloca.

O documento do Grupo de Trabalho “Integração e Regionalização” do programa brasileiro de Sociedade da Informação sobre a universalização é muito claro a esse respeito:

 

“Neste aspecto, é fundamental dar ao conceito de universalização – acesso a todos os cidadãos e agentes econômicos, independentemente de sua localização e condição sócio-econômica, como expresso na Lei Geral de Telecomunicações - um caráter ativo, permanente e evolutivo, visto que o próprio desenvolvimento tecnológico vai gerando novas assimetrias, que podem tornar-se fontes de novas formas de exclusão, que precisam ser tratadas a cada momento” (GT-Reg, 2000, p. 1).

 

E, mais adiante:

 

“Mais importante do que a infra-estrutura - condição necessária mas não suficiente - é a capacitação dos diferentes agentes sociais implicados em nível local, condição indispensável para se garantir a apropriabilidade do conhecimento e sua adaptação às condições específicas encontradas” (idem, p. 2).

 

O problema da produção de conteúdos, por exemplo, exigiria uma política específica, entendida como política industrial, de capacitação (técnica e econômica) e incitação dos agentes locais. O interesse do Brasil, dadas as dimensões de todos os seus potenciais, é promover o desenvolvimento generalizado da capacidade de trabalho complexo do seu povo e as culturas locais que compõem a cultura nacional brasileira, tanto quanto o de garantir a inserção do conjunto da sua população no mundo do consumo e da cidadania.  Desenvolver os saberes locais em paralelo com o conhecimento dos saberes que estão sendo incorporados com a expansão das indústrias de informática, telecomunicações, audiovisual e todos aqueles setores que exigem crescentemente a qualificação do trabalho e do consumo – do trabalhador e do consumidor – é fundamental. O GT-Reg coloca a questão nos seguintes termos:

 

“A diversidade e as especificidades culturais podem ser fonte de criatividade e de inovação fundamentais para a competitividade das regiões numa sociedade em que o conhecimento é fator estratégico para o desenvolvimento. Nesse sentido, três princípios devem ser respeitados no que se refere à questão chave dos conteúdos: (a) garantia de uma oferta que represente amplamente a diversidade social e regional do país; (b) garantia de acesso ao sistema de todos os cidadão e grupos interessados em expressar seus valores e sua cultura; (c) garantia de liberdade de escolha dos cidadãos, o que implica o acesso de todos a qualquer tipo de informação” (idem, p. 3)

 

 

A questão cultural é, portanto, chave.  É condição de competividade crucial numa situação em que a criatividade do trabalho intelectual é condição básica do processo inovativo. A diversidade cultural é fonte potencial de vantagens competitivas num mundo em que o conhecimento e a informação são fatores de riqueza – e de poder – fundamentais.  Mas esta força, este potencial criativo não reside num objeto nem dorme num banco de dados longínquo do nosso espaço dito virtual.  Esta capacidade criativa é a capacidade do trabalho vivo, incorporado pelo sistema produtivo hoje para lhe fornecer crescentemente suas energias mentais e não meramente fisiológicas. Isto num grau qualitativamente distinto do que ocorria em outras épocas.

Um programa de Sociedade da Informação não pode esquecer desse fato e do seu significado: a necessidade de um esforço de qualificação do trabalho, mais importante do que a própria instalação de infra-estrutura, condição, esta, necessária, mas não suficiente, para o desenvolvimento.  Capital é poder econômico e conhecimento.  Mas o conhecimento é atributo dos homens e não dos objetos, por mais que possa parecer o contrário.  O controle do conhecimento é fonte de poder e não só no campo da economia, em que as assimetrias de informação e conhecimento são fonte de vantagens competitivas para os mais aquinhoados.  É preciso salientar que não se trata de um problema apenas de informação, mas também, fundamentalmente, de comunicação.

Comunicação interpessoal ou massiva, que possuem duas lógicas sociais e econômicas distintas: a primeira é tal que para ela funciona o paradigma da “exclusão pelos preços”; a segunda é da ordem do Estado – operador ou concedente.  A internet, por exemplo, incorpora essas duas lógicas, o que se reflete nas suas formas gerais de financiamento. O agente privilegiado no seu desenvolvimento tem sido, desde 1995, o mercado, mas o Estado, especialmente o Estado norte-americano, mantém ainda largamente a iniciativa no que se refere à constituição do chamado cyberspace. Mas a economia da internet (Phan e N’Guyen, 1999; Bolaño e Vasconcelos, 2000) deveria ser repensada na sua totalidade a partir da reatualização da questão regional e tendo por pano de fundo a problemática aqui esboçada.

Tomemos o caso do comércio eletrônico. A internet poderia permitir um mercado global livre, escapando dos sistemas nacionais de regulação - e mesmo de fiscalização – para concorrer com os sistemas tradicionais de intermediação comercial? Em todo caso, ao menos o problema do transporte das mercadorias não eletrônicas permaneceria, questionando, implacável, o velho paradigma da concorrência pura e perfeita. Se atentarmos, ademais, para o problema dos processos de trabalho, veremos que, mesmo no caso das trocas puramente imateriais, com exceção daquelas informações estandardizadas, repetitivas, boa parte das trocas de informação menos rotineiras, “que alimentam uma discussão ou uma negociação mais complexa, continuam sendo objeto de encontros tradicionais em que todos os códigos formais e informais da comunicação interpessoal possam ser mobilizados”  (Savy, 1999, p. 14),[1] o que exige deslocamentos e, portanto, a interferência da indústria dos transportes. Assim,

 

“Observa-se, de fato, que são as pessoas que dispõem, na sua situação profissional como na sua vida privada, dos melhores meios de telecomunicações, as que se deslocam mais. Não há nenhuma substituição do transporte de pessoas por telecomunicações, mas, antes, uma complementaridade, ou mesmo um reforço recíproco” (idem).   

 

Em todo caso, a questão logística adquire um papel crucial de complemento necessário de uma transação eletrônica, ao mesmo tempo em que as TIC são hoje um elemento central para o funcionamento das redes logísticas. Assim sendo, certas regiões estarão mais aptas a oferecer as condições necessárias ao aproveitamento das potencialidades das TIC do que outras.  Savy cita o caso da disputa, extremamente seletiva, entre as grandes capitais nacionais para aceder à condição de “cidade mundial”,  em que disponibilidade dos serviços mais avançados ligados às TIC, a tarifas competitivas, é condição  básica, como um exemplo de efeito estruturante destas.

 

 

3. Setor produtivo: pólos, redes, cluster.

 

         Do ponto de vista da questão regional,

 

“observa-se que, nos novos processos de localização, o surgimento de clusters de empresas, propiciando redução dos custos de transação, através do estabelecimento de relações extra-mercado e a criação de externalidades, obedece a uma lógica intrínseca que faz com que as políticas públicas de atração e de incitação ao desenvolvimento desse tipo de atividade tenham que se dar num ambiente em que estão em jogo forças centrípetas e centrífugas que guiam o cálculo empresarial e que são extremamente autônomas em relação às ações governamentais. A existência de forças centrípetas (self-reinforcing), em que vantagens iniciais se tornam cumulativas abre, por outro lado, a oportunidade para que as intervenções públicas gestem condições estruturais favoráveis em áreas menos desenvolvidas.” (Bolaño e Melo, 1999, p. 7).

 

 

 Em todo caso, os novos investimentos produtivos, têm tido, como importantes fatores atrativos, incentivos fiscais e creditícios. É necessário saber se esses investimentos poderão consolidar-se a longo prazo, trazendo impactos positivos sobre as economias locais, ou se, ao se esgotarem os incentivos, deslocar-se-ão da região, não gerando os impactos desejados. Cabe salientar que, cada vez mais, os custos de relocalização industrial deixam de ser fatores impeditivos. Num projeto de sociedade, como o da Sociedade da Informação, este passa a ser um fator crítico e decisivo para a inserção, ou não, de regiões deprimidas economicamente.

Com a inserção competitiva da economia brasileira, surge um fator adicional que condiciona o processo competitivo. O acompanhamento das tendências tecnológicas e um processo célere de aprendizado passam a ser fundamentais para possibilitar a consolidação das empresas e a expansão dos segmentos produtivos. É fundamental, para que se possa pensar na dinamização das economias e de setores em regiões periféricas, a existência de sistemas de inovação locais que possam, não só garantir a permanência das novas empresas, mas atrair novas firmas e permitir uma interação intensa com diferentes segmentos das economias locais, regionais e extra regionais, possibilitando, enfim, um movimento econômico no sentido de maior organicidade do desenvolvimento, bem como de uma lógica de crescimento que não seja constantemente desestruturada por movimentos exógenos.

Nestas condições, identifica-se, no Brasil, uma enorme fragilidade competitiva das empresas em espaços regionais não centrais, tanto no que se refere a tecnologias de gestão e produção, como em matéria de estratégias empresariais. A grande maioria das empresas, nessas regiões, se diferencia das de regiões dinâmicas, não apenas do ponto de vista das características dos mercados em que atuam e do tipo de concorrência que enfrentam, mas também pelos gargalos tecnológicos enfrentados, o que exige uma análise diferenciada da sua lógica de funcionamento particular e dos mecanismos para a sua consolidação.

Nesse sentido, devem ser definidos alguns conceitos básicos com o propósito de nortear e dar consistência teórico-conceitual às ações práticas. Três nos parecem fundamentais como pontos de partida que permitam direcionar as análises e discussões futuras: o de pólos, o de redes e o de clusters de pequenas e micro empresas, cuja complementaridade aumenta a competitividade do conglomerado. O objetivo é analisar a possibilidade de associar a idéia de pólo, rede ou cluster com a de um setor dinâmico para a multiplicação de atividades em seu entorno. Dentro dessa preocupação é fundamental verificar ações que estejam associadas à estratégia tecnológica das empresas e criar um sistema que possa dar suporte às mesmas, seja na capacitação de pessoal, seja no desenvolvimento de produtos e processos.

Conceituam-se como pólos de empresas um grupo de firmas concentradas em um determinado espaço geográfico, trabalhando num setor específico, normalmente utilizando base tecnológica similar. Uma rede de empresas é um agrupamento de firmas que trabalham cooperativamente, não necessariamente no mesmo espaço geográfico. As redes podem ser horizontais (firmas com o mesmo perfil de produtos e serviço) ou verticais (cadeia de valor em que empresas se complementam ou fornecem para outras). Em ambos os casos notam-se economias de escopo, capazes de facilitar o acesso a insumos, a informações de mercado, a trabalhadores qualificados, a uma base de empresas prestadoras de serviços, entre outros. O acúmulo de economias de escopo, geração de externalidades e de processos de aprendizado, se constituem em foco de especial interesse.

Considerando a heterogeneidade de determinados segmentos, deve-se dar ênfase a um dos conceitos, pólo ou rede, chamando a atenção para aspectos que vão da concentração espacial até a econômica, derivando desta uma relação com outros fatores como mercado, grupamento industrial e suas relações verticais e horizontais. Nesta direção, o conceito de clusters , entendidos como conjuntos de empresas que trabalham cooperando entre si, cada uma das firmas executando um estágio do processo de produção, será extremamente útil. Procura-se analisar a possibilidade de associar essas idéias com a de um setor com dinamismo suficiente para estimular a multiplicação de atividades em seu entorno, a montante ou a jusante, levando, assim, a gradativo espraiamento do desenvolvimento, inclusive para outras regiões, sob determinadas condições.

Alfredo Lopes Neto cita algumas importantes visões do termo cluster. Lembra que os operadores do Projeto Chihuahua Siglo XXI o definem como

 

"um grupo econômico constituído por empresas em uma determinada região, líderes em seus ramos, apoiado por outras que fornecem produtos e serviços, ambas, sustentadas por organizações que oferecem profissionais qualificados, tecnologias de ponta, recursos financeiros, ambiente propício para os negócios e infra-estrutura física. Todas estas organizações interagem, ao proporcionarem umas às outras os produtos e serviços de que necessitam, estabelecendo, deste modo, relações que permitem produzir mais e melhor, a um custo menor" (Neto, 1998, p.13).

 

A Diretoria de Incentivo Industrial da África do Sul – DTI, por sua vez, relaciona a idéia de cluster a um "ajuntamento de atividades compostas de firmas situadas ao longo da cadeia produtiva, além de empresas de apoio, como por exemplo, financeiras, infra-estrutura, assessorias qualificadas, pesquisa e desenvolvimento e outras”, enquanto Pierre Olivier e Mark Dutz ressaltam que "a colaboração e o aprendizado dentro do cluster geram elevados níveis de produtividade que dão lugar ao que os economistas denominam 'aglomerações econômicas' dentro das quais os impactos das sinergias positivas entre os participantes são maiores do que a soma dos esforços individuais de cada participante" (idem). De acordo com Haddad, clusters

 

“consistem de indústrias e instituições que tem ligações particularmente fortes entre si, tanto horizontalmente quanto verticalmente, e, usualmente, incluem: empresas de produção especializada; empresas fornecedoras; empresas produtoras de serviços; instituições de pesquisa; instituições públicas e privadas de suporte fundamental. A análise de ‘clusters’ focaliza os insumos críticos, num sentido geral, que as empresas geradoras de renda e riqueza necessitam para serem dinamicamente competitivas. A essência do desenvolvimento de ‘clusters’ é a criação de capacidades produtivas especializadas dentro de regiões para a promoção de seu desenvolvimento econômico, ambiental e social” (Haddad, 1998, p.74).

 

A idéia de cluster como um aglomerado está presente também em trabalho recente de Michael Porter, segundo o qual

 

“são concentrações geográficas de empresas inter-relacionadas, fornecedores especializados, prestadores de serviços, empresas em setores correlatos e outras instituições específicas (universidades, orgãos de normatização e associações comerciais) , que competem mas também cooperam entre si. Massas críticas de êxito competitivo extraordinário em determinadas áreas de negócios, os aglomerados são um aspecto impressionante de quase todas as economias nacionais, regionais, estaduais e até municipais, sobretudo em países mais avançados” (Porter, 1999, p.209 e 210).

 

Dessa forma, a existência de um cluster está intimamente ligada à força e dinamismo oriundos desse tipo de organização industrial.  A sinergia proveniente dessa cooperação depende, por sua vez, da intensidade de certas características, que envolvem tanto as firmas, como os ambientes físico e social que as cercam. Amorim resume bem algumas dessas questões principais:

 

-          "a existência de uma aglomeração de empresas, em sua maioria de pequeno e médio porte - ocasionalmente incluindo também uma ou algumas poucas grandes empresas - as quais operam em um determinado negócio e estão localizadas dentro de um certo raio de distância de um centro;

-          a atividade do cluster é compartilhada por um expressivo número de firmas, sendo que cada uma delas - ou o que é mais comum, um conjunto delas - se dedica a tarefas específicas desse negócio. Essas tarefas podem se relacionar tanto com aspectos de produção, como também de comercialização, pesquisa e desenvolvimento de novos produtos e novos mercados;

-          as firmas se relacionam de uma maneira intensa e contínua, e esse processo de freqüentes interações combina, de forma simultânea, aspectos de competição e de cooperação - do sucesso dessas relações dependerá o sucesso do cluster;

-          os proprietários das firmas desfrutam e procuram estimular relações de confiança entre os seus pares, de forma que relações comerciais entre ambos possam funcionar sem maiores embaraços;

-          ao redor das firmas integrantes do sistema de cluster, existe freqüentemente uma rede de instituições públicas e privadas que tem como papel atuar como partes estimuladoras e catalisadoras do processo de entrosamento e atuação conjunta das firmas. Essas instituições - podendo algumas inclusive ser do tipo organizações não-governamentais (ONG's) - exercem um papel crucial, pois cabe a elas fomentar e dar sustentação às relações entre as firmas, mediar eventuais conflitos entre as mesmas ou entre as firmas e outras instituições" (Amorim, 1998, p.42).

 

São esses aspectos, articulados à visão de um padrão normativo, que delineiam o conceito de cluster empregado neste trabalho. Mas o conceito de cluster, para sua utilização prática, pressupõe uma clareza na identificação dos elos entre as empresas produtoras, seus ofertantes, seus demandantes e as instituições de apoio - não muito nítidos na maioria dos setores produtivos tradicionais em que a dinâmica de expansão não se apóia fundamentalmente no processo de inovação. Deve-se salientar, contudo, que o conceito de cluster evidencia, no âmago do estudo de estruturas industriais, a relevância de processos baseados na sinergia e em uma visão sistêmica, o que traz um novo elemento central na análise. Desta maneira, mesmo que os clusters não estejam nitidamente constituídos para o analista, como é constatado na prática das regiões deprimidas economicamente, por exemplo, seus elementos metodológicos permitem uma abordagem prática dos chamados complexos industriais, onde a questão da inovação, de uma maneira ampla, é o foco principal.

Desta forma, partindo-se desses conceitos preliminares, deve-se procurar entender o que pode definir a competitividade dos diferentes setores. Deve-se verifica os aspectos de inovação que dizem respeito às ações ligadas à estratégia tecnológica das empresas, ou seja, da sua potencialidade de acompanhamento das tendências do setor industrial como um todo. Neste aspecto, ações relacionadas com desenvolvimento e capacitação tecnológica são importantes e especialmente enfocadas, destacando-se o controle de qualidade, a contratação de serviços de informação científica e tecnológica, os esforços de assimilação de tecnologias importadas, a importação de tecnologia, a aquisição de equipamentos para o processo de informação, instalações técnicas, maquinaria e equipamentos e a existência de recursos humanos para a pesquisa e desenvolvimento. Por fim, deve ser analisada a capacidade de internalização dos processos e procedimentos tecnológicos - vinculada à capacitação dos funcionários - bem como a adaptação de difusão da tecnologia.

Dependendo do setor estudado e de sua cadeia produtiva[2], podem ser encontrados diferentes arranjos inovativos que lhe dão suporte. Por esta razão, em alguns setores nota-se, como fundamental, a existência de uma dinâmica tecnológica mínima, endógena à região, que, embora não autônoma, permite dar respostas às necessidades de consolidação dos setores produtivos e articulá-los com os centros de desenvolvimento e inovação extra-regionais. Em outros, o básico é que exista um sistema regional eficiente de difusão da inovação com a capacitação de mão-de-obra específica para esse fim e mudanças profundas na logística das empresas. Em ambos, a infraestrutura de TIC existente é básica para garantir a competitividade.

O novo paradigma, com base na microeletrônica, aponta para uma concepção rica da competição, que inclui mercados segmentados, produtos diferenciados, diferenças de tecnologia e economias de escala. Qualidade, especificidades dos produtos e inovação são fundamentais nas indústrias e nos segmentos dinâmicos. Na competição real, o caráter essencial é inovação e mudança, que tendem a se expandir mais na medida em que se têm o mais próximo e disponível possível as condições de apoio, aqui entendido como as infra estruturas de acesso e comunicação.

O mercado apresentado dentro do universo de atuação do setor, internacional, nacional, regional ou local, define o grau de conhecimento e relacionamento das empresas com seus concorrentes e seus fornecedores. A análise desse mercado determina quais os pré-requisitos necessários para a empresa ser competitiva neles e seus rebatimentos na estratégia de investimento em atividades de capacitação e inovação tecnológica. Ademais, é um balizador para a definição das pressões competitivas existentes.

Chama-se a atenção, por fim, para o fato de que deve-se partir da conceituação de que em regiões periféricas é mais complexo o processo de capacitar as empresas para  acompanhar tendências tecnológicas e de mercados, bem como dispor de informações e de recursos humanos e materiais, em qualidade e quantidade adequadas, que permitam manter sua posição e ampliá-la sempre que possível.

 

4. Conclusão

 

Nos itens anteriores, procuramos retomar alguns conceitos considerados hoje, por diferentes autores, como fundamentais para o re-equacionamento da questão regional. Ao associar estes conceitos às TIC, pode-se começar a construir uma estratégia de desenvolvimento que procure dar maior capacidade competitiva às economias periféricas e à sua base produtiva.

Tal movimento permite, ademais, a criação de uma base maior de classe média nessas regiões, assegurada pela participação crescente de empresas de pequeno porte, o que poderá garantir uma maior sustentabilidade ao processo de crescimento, com maior inserção das populações locais no mercado de trabalho. Por este ângulo, entende-se que ao discutir SI e região estão sendo analisados os caminhos que poderão ser tomados para a diminuição de disparidades espaciais e maior integração nacional.

Para tanto, políticas verticais – no sentido do que foi discutido na parte três – devem articular-se a políticas horizontais – de implantação de infraestruturas, qualificação dos agentes locais, educação e cultura, como apontamos na segunda parte. As duas coisas, na verdade, estão profundamente imbricadas, como esperamos ter deixado claro, não sendo possível pensar um processo de desenvolvimento regional focado nas TIC sem que ambas sejam contempladas por uma política ativa, capaz de garantir a ação daquelas forças centrífugas acima referidas, contra as tendências centrípetas que uma implantação descoordenada – ou que não leve suficientemente em consideração os fatores aqui analisados – da Sociedade da Informação acarretaria. Em outras palavras, política industrial e política cultural devem ser pensadas de forma integrada e sistêmica.

Nossa compreensão é que os rumos a serem seguidos por regiões deprimidas economicamente não estão a priori definidos. Dependem sim das características da SI, mas não só. Outros fatores, como a organização social, as políticas públicas, aspectos culturais, e aproveitamento de especificidades locais, são também fundamentais para se definir o ritmo e os rumos do desenvolvimento. Nesse sentido, as novas formas organizativas da produção, como arranjos produtivos em redes ou cluster, podem ser fator facilitador de uma inserção em melhores condições, em um mundo em célere transformação. Essa visão poderá dar essência a um planejamento regional com perspectivas melhores para regiões atualmente excluídas.

 

 

 

 

 

 

 

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[1] Alain Rallet estuda o tema dos deslocamentos de atividades informacionais, mostrando que são as atividades mais mecânicas, como a digitação, aquelas que, terceirizadas, se deslocam para as regiões menos desenvolvidas, com baixos custos salariais, havendo também um certo deslocamento das atividades de tratamento em massa da informação - e de atividades de compartilhamento de informação baseadas em processos formalizados - em favor das cidades mais importantes das regiões menos desenvolvidas. Quando se trata, porém, do que o autor chama de “cooperação complexa”, a tendência é de concentração. Em todo caso, quando se trata de serviços informacionais, a necessidade de proximidade com o cliente leva a uma certa descentralização (Rallet, 1996).

[2] Entendida como o complexo de atividades fins, e meio,  existentes para a produção de um produto. Elas não só expressam as diferentes articulações de fornecedores de matérias primas, insumos, maquinarias, bens intermediários ao produto final como permitem analisar a articulação dos diferentes mecanismos e instituições de apoio a este e as especificidades das relações envolvidas.